quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quem quer manter a ordem?

O Estado me tem. O Estado te tem. O Estado nos (de)tem. Se nem eu me tenho, se tantos não conseguiram nos ter, porque Ele?

Impõem-nos, nos controla, nos domina. Marche. Não, já não marchamos. Marx, Nietzsche, Boff, tá tudo aí, sem Index, leia o que você quiser, pense o que você quiser. Na realidade, não. Você não pode ler o que quiser porque você não tem acesso a tudo. Os livros são caros. E a internet?Baixe o livro pela internet: não pode, é pirataria. E nem 30% da população tem internet. Pobres. O que é ser pobre? É seguir os requisitos ditados pela ONU? 1- não ter acesso a saneamento básico, 2- baixa esperança de vida. Qual a minha esperança de vida?Qual a minha esperança?Que vida?!

Tenho casa, comida, livros, internet, dinheiro – suficiente pra viver – e me sinto pobre. Vejo gente que nem isso tem e pula feliz, irradiando felicidade e bom humor. Como pode? Mas o que é felicidade? Bens materiais? Roupa, comida, casa, internet? O humanidade podre, grita o cara da novela das seis global. Que final medíocre pra perguntas comuns e tão antigas quanto a terra. Quanta merda somos obrigados a escutar todos os dias. Haja papel.

Eles citam Froid, eles citam Balzac. Vocês leram? “Nem Balzac poderia prever”, “Chorar é lindo em Balzac”?

No saguão da faculdade, militantes feministas protestam contra a violência. E a violência velada que não se cita? Porque evidenciar o já explícito? Pra que escandalizar? Tá tudo banalizado. E vocês aí, pensando que alguém ainda se impressiona.

O verde agora gera dinheiro, o aborto gera ganho ou perda de votos, o ter gera amigos. Bem não ter querer bem.

Que tipo de poder te satisfaz?Que candidato te convenceu?Quem verdadeiramente te cativou?

Quem, a quem?, diz Hayek.

Frutíferas aulas de Teoria Política Contemporânea. Como aturar a política. Como ser enganado, rebaixado intelectualmente em 3 horas, ou menos. Quando você falar direito, a gente conversa. Teu mestrado, doutorado, PhD não me impressionam mais. Nada mais me impressiona.

Estátua. Estáticos.

Aulas Inúteis, Reflexões Furadas

Vamos embora, está na hora, pare de nos enrolar. Todos sabemos que se o doutor engravatado branquelo pseudo bem apessoado passa e um negro, bermuda, chinelo, relax [no calor dessa cidade qualquer do interior de São Paulo] passa, é o negro que é parado pela polícia- quem duvida?

Vamos no migué, sempre no migué. Universidade pública centro de excelência, educando nossa elite intelectual. O FHC saiu da USP, o Lula nem entrou no ensino médio, ambos viajaram o mundo, ambos ganharam durante 8 anos o salário de presidente da República Federativa do Brasil. FHC dá palestras, aulas em universidades. O que o Lula fará? Fruto, fruto da sociedade. Olha aí, o guri.

Esses burgueses que se travestem de proletariado. Que andam de carro enquanto eu ando a pé, que tem um notebook Dell vindo dos States enquanto tenho um HP dividido em suaves prestações. Ela tem blu-ray e mora na moradia estudantil, lugar de quem não tem pronde ir. Eles passam fome. Contam dinheiro. O dinheiro acaba, mas ainda temos mês. Estamos todos no mesmo barco furado. Alguns no convés, outros na popa, outros na cabine conversando com o capitão. Ideal ordem social.

Mamãe, eu sou reaça. Porque sou pobre mas sou contra ações afirmativas que me beneficiariam, porque sou pobre e arroto coca cola. Porque somos pobres cheirando – querendo ou não – maconha junto aos burgueses, que gritam indignados contra a exploração do trabalhador, contra a falta de acesso de todos a universidade. Enquanto isso, passam 8 anos na faculdade. Doar-se e querer-ser. Contra burguês estudar. Mudar. A unanimidade das facções/movimento estudantil é burra.

Somos todos burros. Pobres, sem eira, na beira do precipício, receosos de dar o próximo passo.

Medrosos, Che.