sábado, 6 de novembro de 2010

roda viva

Cena 2

O primeiro ano se repete. De um lado, pro outro, fingindo se acostumar. Cumprindo o que há tempos prometera, deixar quieto. Então tá. Desativa, e vai, vive, existe, que seja. Mas não se pode ser insensível pra sempre. E justo eu você vem cobrar, pelamordedeus. Eu não fujo do ridículo. Sou masoquista, sempre fui, gosto da dor, quis voltar. Volta não - canta Renato Russo. Mas não é deles a responsabilidade de me quebrar em mil pedaços. Sim, sim, me importo porque é de mim, mas eu poderia não me importar se não quisesse, e às vezes isso me dá medo. Essa insensibilidade intrínseca a todo ser humano, mas que se sobressai em mim.

Cena 3

Urgente é tudo aquilo que outro alguém não fez a tempo e quer que você se mate para fazer em tempo Record. Não, não me cobre quando eu sei que fiz o que me cabia. Não me cobre porque eu não vou simplesmente dizer sim e abaixar a cabeça, não agora, não mais.

Cena 4

“Quem é você? Não sou ninguém. Mas todo mundo é alguém. Não, eu não, sou só eu. Aí, então você é alguém, você é você. Sim, sou eu, mas não sou ninguém.”

E diziam: para de ser assim. Idiota. Ninguém tem nada a ver com o que você faz ou deixa de fazer, seja você, só isso.

Resolvi pelo que me diziam ser o que achavam que eu era, fui sem ser. Me perdi de mim e não conseguia me encontrar novamente. Me perdi de novo, e não saia daquilo. Agora, estou eu sem mim, sendo outrem. Ao mesmo tempo, querem que seja Eu-Outro-Ser, que lhes apetece, mas o qual odeio.

SER ou NÃO SER?

Estar.

Cena 5

Meu amor partiu, cansou dos meus vícios.

Cena 6

Enquanto me beija e diz que me ama só digo impassível eu não sou pra você. Mesmo que chore e declare carrasco que não vale nada não me importo em perder. Porque ter e não ter se tornaram a mesma face de uma moeda já sem valor, já não me importo em sorrir não quero esse.teu.amor.Não vale a pena.