domingo, 5 de dezembro de 2010

Perdendo o paraíso astral

Dois caminhos – mas que caminhos? Escolhas forçadas – mas que escolhas? A decisão nunca foi tomada. Ou foi? Não lembrar-se de ter escolhido um lado não significa não ter escolhido. As declarações de neutralidade são nulas, ninguém acredita que você seja a Suíça, ao fundo, sussurram que é a França assustada, desconfiada mas sempre atacando. Mas sim, elas existem. No meio do fogo cruzado ficou. Sentou, esperou. Se envolveu, se afastou. Alguém então percebeu, mudou. Mas o passo adiante dos caminhos cruzados compartilhados porém separados já não é seguro. Se machuca e diz que está tudo bem, que a vida é assim mesmo, e continua(m). As conversas diminuem, a amizade escorre pelos poros e se vai, junto ao banho, na corrida, nos passos apressados. Ninguém percebe, todos evitam. A inevitabilidade da distância. Persistir não resulta em coisas positivas. Sente falta, tenta, conversa. Aos poucos a desistência vai tomando ares de indiferença. O que um não quer dois não tem. Mas o meu querer não importa? E o teu querer qual é?

O gole de cerveja que afoga e que cura te basta? As caras novas, os novos velhos papos, as desconfianças renovadas superam as antigas. Como o sonho da compatibilidade é traiçoeiro. Mas é assim, tá escrito, não está? Não há como negar. Mas os astros convergem pra outra direção, te custa aceitar, mas vai ter que.

Já não dá pra sentar ao lado e sentir falta. Ninguém se senta, ninguém conversa. Ninguém se conhece. Ninguém se gosta. Ninguém. Por favor, alguém resolva isto?

O tempo, cura tudo. Cura nada.







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